Sunday, December 21, 2008

"Em Roma, como os romanos"

Como não podia deixar de ser, São Paulo vem me trazendo algumas surpresas. Apesar dos meus vinte e sete anos, e toda a bagagem que a idade pode me dar, não é de hoje que sempre me comporto como uma aprendiz, e aberta a novas vivências.

Também é fato que as novidades que venho presenciando estão me fazendo sentir novamente como uma criança que aprende seus primeiros passos depois de tantas quedas, ou que pronuncia palavras e gestos novos através da observação e imitação dos outros à sua volta.

É bem verdade que a cidade, a vida que eu passei a levar, a atitude de chegar até onde cheguei, me fizeram sentir "livre, leve e solta" na metrópole, mais uma na multidão que não seria notada por suas ações e reações...

Mas, que nada! As pessoas têm olhos, ouvidos, bocas, opiniões e preconceitos maiores do que eu podia imaginar. É o Lobo Mau e eu a Chapeuzinho Vermelho.

Em suma, me surpreendi comigo mesma, com meu amadorismo e reações tão "verdes" a situações que em outras condições eu tiraria de letra. Mas tudo bem, vamos em frente, como diz a música: "Levanta, sacode e poeira e dá a volta por cima".

Tão ingênua. Tão ingênua eu fui em meus primeiros movimentos... E foi preciso mesmo um tempo para as coisas se ajustarem e eu poder entender melhor tudo o que estava acontecendo, e até que ponto havia equilíbrio entre o que eu estava sentindo e pensando, e a realidade que estava ao meu redor. E só depois disso eu tive condições de escrever a respeito.

Escrever e aprender que estou na cidade das aparências, da adaptação e submissão à vida em sociedade e da necessidade de se adequar a essa rotina, a essa atuação.

Sim, tornei-me uma atriz para ser aceita, enfim, para ser. Ledo engano achar que me sentiria plenamente satisfeita ao expor como realmente sou...

Mas deixo claro que não chego ao ponto de ser uma fraude, uma farsa. Eu diria que meu comportamento hoje é igual à mesma criança, agora adaptada, após se deparar com uma série de processos educativos. E não exerço resistência a essa nova condição. Pelo contrário, vou dançando conforme a música, ciente de que estou num teatro...

Confesso que não sou fã desse espetáculo muito menos de minha personagem. Mas ao menos estou aprendendo, como sempre, e colhendo os frutos de fazer bem feito o exercício, o dever de casa.

Quanto ao meu "Eu", meu "Ego" minha "Essência"... Percebo que quanto mais represento, mais entro em contato com tudo que está dentro de mim. E é o que importa, sinceramente. Passam a ser segredos que guardo comigo mesma, e que não dizem respeito a mais ninguém.

E para encerrar, assim mesmo sem fim, segue uma das músicas que embalaram esse post:

HUMANO DEMAIS
Gessinger

De tudo que é humano nada me é estranho
se o mar não tá pra peixe desse tamanho
eu não esquento, eu não me iludo
eu troco em miúdos o primeiro toque
e nada pode ser maior

de tudo que é humano nada me é estranho
fruto e semente...criatura e criador
as curvas da estrada...as pedras no caminho
os filmes de guerra e as canções de amor
nada pode ser maior

de tudo que acontece nada me surpreende

tudo me parece !tão normal!
um big mac...maktub...
drops de Deus...filosofia fast-food
nada pode ser maior

não é ciência exata, não acontece em tempo real
é demais !humano demais!
não é ciência exata, não acontece em tempo real
é demais !animal!

e agora somos só nós dois: eu e minha circunstância
sempre foi só nós dois: eu e minha circunstância
sempre só nós dois: eu e eu e eu e eu eu...

1 Comentário(s) para: "Em Roma, como os romanos"

  • Você já sabe tudo que penso a respeito, né?

    Mas enfim, engana-se quem acha que não tem mais nada o que aprender na vida... todo dia a gente vê uma coisa diferente, uma situação inusitada. E é muito mais fácil aceitar que somos eternos aprendizes do que se enganar e achar que nada mais nos surpreende.

    Beijos!

    Anonymous Anne, em 21/12/08 17:51  

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