Thursday, October 14, 2004

Homenagem póstuma

Lembro-me como se fosse ontem.

Eu tinha nada mais do que 14 anos de idade. Era o meu primeiro ano na escola técnica. A professora de português nos disse que iríamos fazer um seminário sobre dois livros. Um deles chamava-se "Os restos mortais", de Fernando Sabino. Li o livro todo numa única tarde de tão fixada que fiquei na história!

Como tarefa para o tal seminário, precisávamos pesquisar sobre a biografia do autor. Foi aí que, ao saber de sua vida, sua história e os livros que escreveu, me tornei fã de Fernando Sabino.

Não demorou muito e li "O Encontro Marcado". Eu era uma criança descobrindo o universo! E Fernando Sabino mostrava-me naquelas letras, a verdade que eu descobriria mais tarde, protagonizando aventuras semelhantes às vividas por Eduardo Marciano. Aquela parecia a história de todos nós...

Com o tempo descobri que ele, além de novelista e romancista, também era cronista, contista... Então aquele texto que li quando criança - "Conversinha mineira" - e ri tanto! Era ele que tinha escrito... Descobri que o admirava muito antes, mesmo sem saber.

Eu queria ver o mundo como ele via, eu queria escrever como ele escrevia... Eu queria amigos tão ilustres quanto os que ele teve... E lia-o cada vez mais para poder viajar e me sentir integrante daquele mundo que não me pertencia.

Aos 17 anos escrevi minha primeira carta para ele. Mas não enviei, tamanha era minha timidez. 2 anos depois, criei coragem e postei a carta juntamente com alguns de meus escritos. Qual não foi a minha surpresa quando algum tempo depois recebi uma resposta: um bilhete com elogios às minhas letras e livros dele autografados de presente. Hoje, esse material é relíquia em meu quarto...

Finalmente lágrimas caem de meus olhos... Me dou conta que não poderei alimentar o sonho de um dia encontrá-lo, de continuar a me corresponder com ele, nem de apreciar as novidades que ele nos trazia ainda em vida. O "Livro Aberto" fechou-se. Mas, ao mesmo tempo, me conforto sabendo que ele nos deixou um mundo de palavras como herança. Sua obra é sua memória eternizada!

Há quase 10 anos, Fernando Sabino entrou na minha vida e nunca mais me largou. Em meu blog, nossos nomes agora se confundem: "O Caçador de Borboletas" são suas palavras e minhas palavras ao mesmo tempo. A manutenção deste site é a homenagem permanente que presto ao meu escritor favorito. Espero, agora, ser digna desta responsabilidade...

No dia 12 de outubro ele faria aniversário. Tantas vezes dei-lhe os parabéns em pensamento... Mas agora, apenas desejo-lhe:

- Vá em paz, Fernando Sabino!

Fernando Tavares Sabino
* 12/10/1923
† 11/10/2004

P.S.: Essas palavras são insuficientes para demonstrar o meu lamento, mas deixo-as aqui, como registro do que tentei expressar.

1 Comentário(s) para: Homenagem póstuma

  • "Qual não foi a minha surpresa quando algum tempo depois recebi uma resposta: um bilhete com elogios às minhas letras e livros dele autografados de presente. Hoje, esse material é relíquia em meu quarto...". Não faz isso comigo não, é maldade. Estou sem palavras. Sinto, mas estou em um processo setepecaminoso incrível em relação a você: a inveja me toma com um furor incontrolável. Sinto inveja sem pudor. Eu tinha que estar no seu lugar. Eu tinha que ser você nesta vivência. Sinto muito, mas não vai dar nem para eu comentar agora a beleza de seu texto e a sinceridade que senti em suas palavras. Fica para uma próxima postagem.

    Blogger Ewerton Martins Ribeiro, em 5/10/07 01:15  

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